segunda-feira, 30 de junho de 2014

do pular de pedra

grata ao existir seu

grata à bela-mão

grata sobretudo aos seus olhos pequenos nos quais vejo apenas doçura e nada que me afaste

grata pelo seu agradar

grata pelo espaço que tem dado

grata pelas vistas e pelas horas todas

grata por ter-me feito vir pra cá pra descobrir

quinta-feira, 26 de junho de 2014

da inconstância

passa tempo, tempo passa...

de dez em dez passos, passa tanto em mim; vem decisão, re-decisão... vem cisão, repetição, toda sorte de ação que se possa pensar.

as estratégias e a tentativa tola de calcular todos os riscos de falar, todos os riscos de ser, de se jogar, de se manter aqui, de se arriscar pra lá.

eu não sei mais nada, absolutamente nada. saber parece parco também, saber pra quê? quero saber de nada não... quero? ah, acho que quero, e hoje eu só gostaria de ter sabido se por alguma cabeça passa algo semelhante ao que passa na minha.

hoje me pareceu que vai fazer falta os ônibus de cor azul clara sutil, branda, bela, de caminho lindo e montanhas na vista.

na hora de ir, na hora de ser ausência novamente, parece que o coração começa a bater. passo a entender às vezes em que tomamos uma decisão de fim e logo em seguida voltamos atrás. romper dói. dói muito. dor daquelas que são sem fim, parecem. mas um dia ela termina. e, aliviada, eu digo-direi: caramba... que foi aquilo mesmo? teve dor? nem lembro...

não tenho o dom de esperar.

terça-feira, 24 de junho de 2014

da maior lição da menina


You spend most time trying to figure out why you can never figure out just what you're trying to figure out
Spend more time living

You spend most time searching for the love that'll be searching for your love
You love to save your love for love
Spend more time loving

You spend most time talking 'bout yourself and how it matters to yourself more than to anybody else
Spend more time listening

You spend most time judging everything as if you ever knew a thing
There's more to things than just one thing
Spend more time respecting

You spend most time worried 'bout what's to say about your silly little ways
Isn't that silly, anyway?
Spend more time flowing

You spend most time fussing, bluffing, hating all times bleeding

segunda-feira, 23 de junho de 2014

da queda

nunca reparei em você. até o dia em que reparei. nunca fiquei perto até porque, sabe, não sou disso, não gosto disso e acho a distância um trem seguro. não quis nunca, até o dia em que eu quis muito e é claro que na verdade isso é tudo mentira e eu não quis nada.
por que foi mesmo que te deixei entrar no meu riso?
só preciso de cachoeira,
de estrada de terra,
de voltar pro meu lugar.

é tanta coisa guardada que conforme os dias passam dá sensação de explosão.

já nem dá pra saber como vai ser pra mim e de-mim-prá-lá quando eu realmente explodir...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

the lunatic is in my head...


é como uma dança em que palavras vão sendo reinterpretadas num vazio de quem, na verdade, não quer dizer nada.

basta tentar encontrar sentido no não-colorido, na não-expressão. eu procuro, procuro, mas eu não acho.

o leão de fogo tenta me dizer, vai, respeita as diferenças, entenda os amigos, entenda o amor, tente não se afobar, não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar. mas eu não busco amor não, acho que busco uma mão na cintura e só, ou uma mão no pescoço pra andar na calçada, uma risada pra ser dada no meio do nada, leão. não me entenda mal, eu só não entendo essa toda despretensão.

in a sentimental mood, será? será que uma cigarra que canta na chuva, que é forte e enfrenta frio de cuzco pode estar assim?

de saudade de rio eu ando, eu rio, eu no rio qualquer que seja mas que seja bem longe daqui. como se já tivesse enjaulado todas as expectativas porque, diabos!, há cá um poço gigante de intenção e intensão, intensidade, seria melhor.

olha, você, não me leva a mal, mas, na boa? não seria melhor simplesmente o ser sincero? traz o não. tem cansado dar dica, tem cansado ter de fingir que não quando é sim. tem cansado demais olhar e não ver, e desviar, e ficar tecendo teias que se desdizem e se repetem e são repetitivas. eu repito tantas vezes a mesma história, não é, leão? eu transmuto vontade de fusão em paixão, porque eu sou louca e fora nascida no dia da situação difícil. complico o fácil porque é fácil fazer isso, é como se o meu pensamento não tivesse mais ritmo e ficasse indo pra você o tempo todo, mas que diabo!

i'd rather be lonely than happy with somebody else. mesmo porque, pasme, não parece haver nesse espaço-tempo nada que me agrade mais. meus meninos avisaram, disseram, distância daquilo que te agrada, distância de espontaneidade e distância de risos largos. aí a gente teima e inventa de tinhosidades brandas, no início, mas que agora fazem minha viagem ter a droga do gosto da falta.

ah, como é bom não gostar...

só preciso sair daqui pra ver de longe, do meu melhor ângulo, que na verdade isso aqui não representa nada e é só babaquice, criação duma mente vazia, dum coração que não tem, dum pé machucado há muitos dias, dias suficientes pra afetar a mente vazia e o coração que não tinha.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

do re-significar

sim, é isso que fazemos. pego carona em temas de outros e vejo, agora, que é bem uma questão de atribuir outro sentido a tudo isso.
o sentido se atribui como? naturalmente? acho que de tanto achar que deve ser naturalmente acaba nunca sendo. o natural é o mais difícil. caramba, como é difícil ser simples, só ser, e a cada dia parece ser mais desafiador.
a vida traz todo dia encontros fortuitos, coisas que devem ser, acontecer, e sem que possamos nos dar conta temos nas mãos belezas de dias e vidas puras.

mas pra isso é necessária a nossa própria permissão. a nossa andança, os nossos passos, até os passos em falso que nos fazem cair são necessários.

é preciso sair, abrir a janela, calçar o tênis velho, andar caminho errado pela simples alegria de ser. nisso os significados se refazem e se criam novos, novas vozes. vozes velhas são lindas também. passado-presente-futuro são misturas, são fluídicos, se interpenetram de modo que somos re-pedaços disso tudo, somos junção e frações do que melhor se pôde filtrar do antes-agora-depois. tudo isso pode se resumir em simples presente.

presente belo o que temos!

quarta-feira, 19 de março de 2014

da gratidão




grata, menina-fada de roupa colorida, pelo mundo-arte que me apresenta todo dia, e por quando tenta pegar uma xícara

grata, menina-dos-olhos-de-gato, de olho expressivo, de tanta força nos olhos, os olhos. grata pela sua vida única e profunda, duma profundidade que só quem é de ar consegue ser, e eu tão longe, tão longe...

grata, moço bonito, de morada lá no alto, porque parece que nunca está aqui. grata pelas ruas que me mostrou, ruas da sua vida, do seu lado de lá da ilha, grata pela sua paciência com minha aceleração e grata por não saber a diferença entre vestido e blusinha. grata também por não saber o que é um bolero.

grata, ariano, pela espontaneidade, pelas conversas boas, pela energia, pela disposição, pela verdade, pela vida sua que me tem sido tão cheia de cores.

grata, moço-do-sul, por ter me deixado entrar na sua casa, por ter me mostrado como é sua vida, por ter me dado um pedaço de cada coisa boa que tem, de cada beleza que seus olhos vêem. grata por me levar contigo, por estar comigo nas vistas mais bonitas que tenho tido, no canto daqui que mais mora meu coração. tem o maior valor do mundo um caminho bonito com você, uma conversa sincera, ou um elogio ao contrário de que meu cabelo, afinal, não é arrumado como o das outras gurias.

grata.

segunda-feira, 10 de março de 2014

do mar



bruna e o mar

mar e bruna

aproveito os carinhos do mundo, os 4 elementos de tudo sentada na montanha de frente pro mar

a mente descansa

é bom que descanse, afinal, não quero o que a cabeça pensa, mas o que a alma deseja. a alma, ela, além

fique a leveza, durma o medo, venha o sol, abra-se a estrada

seja vida, seja pura, seja música, só música que entra na alma e arrepia o antebraço

encante o sorriso de criança, viva os olhos dos outros e por isso os seus também

limpe, ar; sinta a esperança no ar

abra. apenas abra. a boca pra falar, o coração pra amar, a porta de casa pra receber, a porta da alma pra doar








segunda-feira, 3 de março de 2014

da solidão


hoje vim à solidão. com e sem metáfora.

mas fui sozinha não.

trouxe o bru. ele na sua sem-fim desempolgação com trilhas e matos. Mas com tanto amor, mas tanto amor, capaz de fazê-lo acordar com meu relógio biológico esquisito e ir comigo.


trouxe o ticiano na maior vontade que eu já tive de alguém estar comigo a cada segundo.


trouxe meus pais e minha irmã. porque eles são parte de mim dum jeito que não sei. sou boba demais ainda pra saber.

trouxe o rodrigo, porque o conheci aqui nessas lindas terras. porque era mágico encontrá-lo na lagoa pra tomar chopp duplo e discutir e aprender e admirá-lo. ah, que leveza você me deu. e dá.

trouxe o pedro e seus-meus-nossos pulos em pedras e cachoeiras. pedro foi amor de pedra e natureza.


senti falta imensa e trouxe a bruna do coração selvagem.


e trouxe você. e você é o maior dos problemas. com você eu fiz cada passo dos que faço hoje. não digo que te lembro o tempo todo: mais que isso, é exatamente como se estivesse aqui comigo colado ao lado. éramos duma felicidade aqui, exatamente aqui, que eu não sabia explicar, não fazia idéia do que era, só sabia que era bom e vivo, colorido. até agora ainda não sei o que foi aquilo tudo.
agora, só sei que ninguém ao meu lado chega aos pés do que foi aquela solidão daquele dia com aquelas cores de rosas e lilás. fora a plena plenitude - redundante, como é todo sentido demasiado forte. plenitude de saber que alguém nesse mundo também tinha vontade de pedir um pedaço da comida dos outros. plenitude de ter com quem rodopiar. é bom rodopiar só. mas com, ah, com. ultrapassa limite, isso tudo.



alguém que cante junto e sorria sem se preocupar quem está vendo. alguém que seja, só.

somos vagalumes a voar perdidos...

domingo, 2 de março de 2014

das primeiras impresões



de sentir sorte por, ainda com algumas inacabadas dores, ver só a beleza de flores que encontro

de sentir sorrisos bons, ainda que eu saiba que, por ora, não vai ser fácil

não é fácil mudar, são recursos todas as horas, são começos, novos começos a cada passo que se dá, a cada ônibus que descubro que vai daqui direto pro centro

não seria fácil, eu sabia, sempre. mas ter vindo, ter saído, ter mudado é uma das poucas vitórias que se pode dizer alto que foi possível, que ainda é tempo de começar, de deixar sempre de lado a certeza e arriscar tudo de novo com paixão.

levamos conosco pra qualquer canto a nossa essência (será que há?) e vamos ali canto a canto plantando nosso ser, conquistando aqui, 'perdendo' ali - ainda que, na verdade, haja nunca perda mas sim reconstrução. a leveza de ser por ser, de ir caminhando sem que seja necessário pegar esta ou aquela rota já conhecida. rota nova...

então são perguntas toda hora, são sorrisos inaugurais, é um ser diferente que se abre pra isso tudo, com farpas ainda daquelas que vão saindo devagar, que o próprio corpo vai regenerando e absorvendo de modo a um dia, em breve ou não, pouco importa, dissolver na gente mesmo.

andar caminho errado pela simples alegria de ser...