quinta-feira, 28 de abril de 2011

era uma vez, no mundo real


Ah, minha amiga, minha flor, meu refúgio de realidade. É bom ignorar a verdade quando ela é tão desgastante. A gente foi crescendo e entendendo os propósitos das pessoas, e hoje já sabemos o quão vil alguém pode ser. Meu egoísmo e a sua loucura são perdoados quando se pensa no tanto de indignidade que vemos por aí. Hoje, nós temos tantas certezas cristalizadas, como o fato de que os homens são mesmo animais e nunca, jamais algum deles será capaz de nos trazer a felicidade absoluta. Porque felicidade absoluta precisa de entrega e encontro furtivo todos os dias. E nem por sabermos disso nossa vida se colore mesmo. Ah, minha princesa-cigana, somos deusas, loucas, feiticeiras, e não podemos nos permitir sofrer de nenhum modo. E já não sofremos, acredito. Você já leva a vida com essa naturalidade peculiar, com essa leveza de pés descalços, me ensina? O tempo vai passando e nós, mais bonitas, mais seguras, mais livres de tudo. Não se demora o dia em que pegaremos um ônibus pra Minas ou pra nossa aldeia no meio do mar e não vamos nem levar o dinheiro da volta - ou vamos torrá-lo por lá mesmo, com coisas muito mais interessantes que um retorno pra nada, como é nosso retorno pra vida real. Eu e você, detentoras de uma realidade paralela que não É ainda em completude, mas já É em essência e já existe porque é plano nosso.

Eu tenho medo de ter ficado cinza, cinza como São Paulo. Mas aí eu me lembro de nós e se fazem fitas coloridas e bexigas roubadas. Eu digo que não, meu amor, mas eu também queria viver entorpecida. Eu lamento essa cidade, mas nem por isso não sonho com um canto verde-rosa-lilás-azul em que só se consome beleza, ar puro, liberdade e palavras vindas direto do coração.

sexta-feira, 18 de março de 2011

salada de frutas


ah, como é bão!! ficar sozinha com salada de fruta é quase que a perfeição do momento introspectivo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Essa ofegante epidemia


Tem quem vai pra acampamento da Igreja, pra retiro espiritual, pro sambódromo, pra praia, pro interior de Minas Gerais, pra puta-que-o-pariu. Eu, esse ano, vim pra mim. Eu, que sempre viajei, sumi, desisti dessa cidade grande-estranha nesses dias de 'folga', dessa vez passo entocada. Sou toda de mim mesma, com meus interesses, minhas pequenas coisinhas como estudar grego tomando coca-cola, me depilar, arrumar caixinhas coloridas cheias de pequenos detalhes que não tenho onde guardar.

O carnaval é, eu diria, heterodoxo. Heterodoxo porque, na verdade, é um grande feriado colorido que é feito na individualidade de cada um. Não tem de ser pulado, mas sim vivido. E cada um escolhe como usa esses dias - e há, claro, quem não escolha nada e tenha que trabalhar no feriado. Esse ano, aprendi a ver beleza nos carros alegóricos das escolas de samba, mesmo tendo passado a vida toda achando tudo isso de desfile uma grandissíssima bobagem. Então, devo dizer que, mesmo em casa, mesmo sem liberdade de ondas de mar, como antes, eu vi cores virtuais bem coloridas e delas fiz encher meu coração, de beleza gratuita de pessoas felizes que vivem os dias todos num único ideal cheio de roupas bonitas e música animada.

Mas, pra mim, aos 80 anos, um carnaval seria como o de Limeira, na rua, tomando cerveja barata e vendo uma senhora, antiga amante do antigo prefeito da cidade, desfilar feliz cantando "Bandeira Branca", vendo pessoas felizes jogando confetes coloridos umas nas outras, andando às 4 da manhã a pé pela cidade pequena e bonitinha. Carnaval na minha alma tem marchinha, tem até as musiquinhas do Sílvio Santos, tem serpentina e máscara - esqueceram disso já? Gosto do pouco glamour, da simplicadade. De Pierrô e Colombina, quando nem se sabia quem era por trás da fantasia.

Pois é, no fim, saio desse feriado com vontades, idéias, tristezas de ausência, e a mesma e antiga indecisão e desconfiança. Mas é carnaval, afinal, de quê adianta desconfiar? No fim, somos todos iguais, cheios de pequenas mentirinhas carnavalescas e risonhas, cheios de inverdades que tanto acreditamos acabamos por construir fatos. Estou prestes a admitir que sou insuportavelmente pior do que a maior parte das pessoas que critico. Vou parar de criticar: quem sabe assim eu não me sinto mal por ser tão ruim.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

os caminhos mudam com o tempo...


Ah, bons tempos de mudança... Penso até quando poderei mudar tanto assim, num espaço curto de tempo. Porque, em certo sentido, essas mudanças só existem porque PODEM existir. Porque eu alço vôo rápido, eu respiro tudo que posso intensamente e quero outros ares antes de um dia achar a tristeza normal. Fato é que acabei me tornando uma menina implicante e impaciente ao longo dos ônibus lotados e dos trens abarrotados. Perdi, infelizmente – e espero que por ora -, o sorriso sincero de “bom dia”, a alegria de ver beleza em tudo que passa, em tudo que está.

Agora quero poder respirar aliviada, acordar em paz, dormir tranqüila, viver os segundos como se eles fossem uma linha contínua e eterna...

A vida foi bondosa comigo ao me permitir mudar dessa vez, e certamente farei por onde conseguir alcançar minhas metas, que podem parecer pouco, mas são minhas e me farão imensamente feliz! Assim, logo, espero, irei seguir todas essas regras:

Durma quando o sono bater e acorde quando Deus quiser

Assista menos TV, Cante no Chuveiro, escreva um livro, faça um filme

Se apaixone todo dia por você!

Pare tudo ao entardecer, não importa o que tiver pra fazer

Veja o Sol se pondo no mar...

Ria sem motivo, pinte um quadro veja desenho animado

E se apaixone de verdade por alguém!

Faça tudo valer a pena!

A vida é tão imensa e ao mesmo tempo é tão pequena...

Faça tudo valer a pena!

Dizer eu te amo não devia ser um problema.

Faça o que quiser fazer, fale o que a voz quer dizer

Que seja como tiver de ser!

Jogue o seu relógio fora, conte estrelas , molde nuvens

Se apaixone todo dia pelo mesmo alguém!


domingo, 23 de janeiro de 2011

da pedra mais alta


me decidi. pronto, subi, e agora? agora eu me jogo? olho antes pra ver certinho o terreno lá embaixo? mas sou tão pequenininha de cima da pedra mais alta... eu queria lembrar do rosto, da voz. eu lembro das palavras, da sutileza, da paz que me deu passar aquelas horas ali. lembro dos gestos tão mais incríveis do que eu jamais poderia ter. eu lembro bem de tantas coisas, mas eu queria parar com esse negócio de ficar lembrando e viver. adiei mais de um ano pra viver. nem sei bem porque, se por medo, por pensar que era melhor manter aquelas horas num ideal de perfeição.
é bom olhar pra frente e ver que existe quem gosta de paz, quem foge de caos, quem me deixa descansar os braços.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A varanda...


Varanda é como possibilidade de horizonte. Na varanda, onde a lua se levanta, nossa rede se balança, serenata pra acordar. Mesmo no alto de prédio na cidade grande, mesmo assim. Varanda é a janela maior, onde dá pra debruçar. É onde começa a visão, onde termina o interior da casa, num meio termo entre a gente mesmo, o nosso lugar e o lugar todo. Estranho que eu queria tanto uma, de frente só pro verde porque de concreto já basta o dentro-de-casa. Minha vista fica tão presa dentro da minha casinha pequena que parece vazia. Na varanda a criança se debruça; na varanda, onde o ar anda depressa, vai embora na conversa nossa pressa de ficar. Só fica a vontade de uma rede, estender almofadas, tocar músicas daquelas que enchem o coração de alegria, ter ao lado uma boa companhia, conversas leves e risadas sem fim. Se eu tivesse uma varanda, daquelas grandes que cercam quase a casa toda, com chão de madeira, não sairia de lá nunca, e ainda colocaria um sofá, que é praqueles que não gostam de sentar no chão ou pra eventualmente dormir por lá mesmo.

Além de mim, sei agora que outras pessoas espalhadas por aí também querem uma varanda, também querem uma rotina que envolva uma vista verde, música, assistir a chuva, contemplar a possibilidade de horizonte que a varanda oferece. Na varanda, onde a flor se arremessa, onde o vento prega peça, nos traz festa pelo ar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

that's all folks!


Toda sintonia acaba. Acaba porque o ser humano é tão finito na existência quanto nos sentidos. Essa história de que "se é amor, não acaba" é mentira, é balela, e na verdade todo mundo sabe disso: só serve pra gente culpar, inculpar, justificar as mentiras que contam pra gente. Mentiras necessárias. Aliás, as mentiras garantem todos os sorrisos e, depois de um tempo, todas as lágrimas. As palavras ficam mesmo ao vento, e dá uma vontade louca de lembrar do último beijo, do último abraço sincero, do último sorriso que você ofereceu e o último que o outro coração te dedicou. Mas quando um fim se põe, pega desprevenido, pra doer mais. Afinal, dor pouca é bobagem. Fins cheios de tentáculos, daqueles que vão aos poucos, até findar de vez, são sem graça. O fim inesperado tem cor cinza, não combina nada com o dia ensolarado que faz lá fora, descolore de vez a vida, tira as possibilidades, deixa os sonhos mortos e esquecidos, já que de nada adianta mantê-los na lembrança.

Eu tinha ainda planos, mesmo com tantas evidências de que estava tudo fora da ordem. Eu vou sentir falta de tudo, absolutamente tudo, do olhar de criança, sobretudo. Eu devia ter olhado mais nos olhos dele, acho. Talvez tenha me faltado coragem de olhar e ver o que eu não queria ver, porque viver de amor-e-cabana é bom demais. Mas uma hora fui obrigada a entender, de vez, que o problema não está em mim. Não há culpa desse lado, isso conforta mas também nem adianta de nada.

Agora é só me acostumar de novo com a solidão da minha casa pequena que parece vazia e aceitar uma coelhinha bonitinha de presente pra ter barulhinhos pelos cômodos...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

À MELHOR COMPANHIA


o frio nem tem sido tão intenso assim, porque eu tenho mãos e abraços dele. eu tenho a voz grave repetindo que eu sou linda - mesmo sendo ele a parte linda da gente! -, o corpo dele me rodeando sempre em demonstrações digníssimas do quanto já somos um, ajustados, harmoniosos, cúmplices. E cumplicidade é, sem dúvidas, a parte mais bela de um amor.

eu agora voltei a gostar de jogos, de café fresco com companhia, de barulhinhos bons de amor andando e vivendo pela casa, conversas de madrugada (poucas, já que sempre tem um despertador pra tocar...). o sofá em módulos - que ele vai me lembrar pra sempre de nunca mais comprar - parece ter o tamanho do mundo quando a gente passa as horas lá, esquecidos do mundo, deixando todo o resto que há pra depois...
ficar boba não embobece, na verdade: cura, alegra, colore, enche meu dia de saudades; não saudades que choram, mas saudades que esperam... esperam chegar a hora de se ver. de abraçar, carinhar, sentir o que ele sente, querer o que ele quer...

dessa vez, devo dizer: foi perfeição, justamente pra compensar os amores errados de antes. não há erro agora, não há tempo ruim, é bom humor dos dois lados, mesmo quando é necessário brigar no ônibus porque alguem que preciiiiisa de um companheiiiiiro ficou com raiva da nossa felicidade toda, que transborda, que transparece, que faz brotar sorrisos em nós e em quem está perto de nós...

por fim, o amor é a razão de eu acordar feliz, ficar nem que seja 10 minutos na estação de trem tomando café de banquinha com bolo, eu, que nunca gostei de bolo muito menos de estação de trem...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

E AGORA?


Tem uns astros dizendo que amanhã se inicia uma nova fase pra mim... tá bom. Acredito, o que mais cabe a mim? Horóscopo serve mais pra nos influenciar em determinadas direções do que pra mostrar verdades. Seja o que for, é fato que hoje eu já tinha me programado pra decidir coisas importantes. Então, já que é pra felicidade dos astros, combinado: amanhã começo uma nova fase!
Tem tanta coisa pra eu decidir... tem pessoas que eu quero trazer de volta, vozes que eu quero ouvir de novo em bares da vida, aniversários chegando que eu gostaria de comemorar. Mas tem também ares novos, com medos e receios que sim, devo dizer, me fizeram parar completamente a caminhada. É tão mais fácil se manter onde eu estava, tinha uma pitada de sofrimento mas era uma certeza de que, ainda sofrendo, era por algo já encerrado e, sendo assim, era tristeza congelada.
Agora não. Agora são receios novos, medos novos. Medo de não ser feliz quando na verdade eu já estou sendo feliz... estranho isso. Eu tenho vontade de me jogar por completo mas sei que não tenho força nenhuma pra arcar com as despesas de sermos loucos. Eu, que tanto quis alguém louco, não sei se soube pedir ... se eu não pedi direito, Senhor, me perdoe. Mas não era bem isso, talvez. Acertou na paixão, na pele, na voz, no jeito, no carinho. Só foi uma dose exagerada de insanidade e bagunça. E eu tenho medo, muito muito muito muito medo. Não sei se é insegurança, mas se for, eu que trate de tirar logo do coração essa angústia toda...

E amanhã? Começo minha nova fase COM ou SEM ele?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

me leva pra morar na praia?


Já há alguns dias, minha vontade é largar tudo, sair correndo pra praia, pro campo, pro fim do mundo, pra dormir no chão de terra ou areia, vendo o céu, com os olhos perto, bem perto, quase uma pessoa só... Tenho pensamentos desconcertados o dia todo, penso, lembro, relembro, reconstituo as palavras, tento apreender os momentos.

Uma sintonia de voz grave e outra voz aguda, sintonia de instrumento de corda, carinhos, chocolate. Esse primeiro-sentimento é infinito, dá convicção de que se pode tudo, só porque se QUER tudo, e o desejo passa por cima de qualquer bom-senso, princípio, fato óbvio. É sentir só, é vontade de ter uma cama do tamanho de uma praia pra ficar junto explorando o espaço por horas a fio, enquanto o sol nasce, se põe, nasce, se põe...

Agora, me sentindo assim, com muito mais vida, eu me certifico de que todo o período que levo pra adquirir novamente autonomia sentimental vale a pena, afinal, só assim eu pude não ser grossa quando ele chegou, não tolher possibilidade, deixar ele mostrar que eu estava enganada quando olhei e simplesmente achei que, como todos ali, ele era só alguém.

Era alguém que em 5 dias me tiraria o chão...