quinta-feira, 24 de abril de 2014

do re-significar

sim, é isso que fazemos. pego carona em temas de outros e vejo, agora, que é bem uma questão de atribuir outro sentido a tudo isso.
o sentido se atribui como? naturalmente? acho que de tanto achar que deve ser naturalmente acaba nunca sendo. o natural é o mais difícil. caramba, como é difícil ser simples, só ser, e a cada dia parece ser mais desafiador.
a vida traz todo dia encontros fortuitos, coisas que devem ser, acontecer, e sem que possamos nos dar conta temos nas mãos belezas de dias e vidas puras.

mas pra isso é necessária a nossa própria permissão. a nossa andança, os nossos passos, até os passos em falso que nos fazem cair são necessários.

é preciso sair, abrir a janela, calçar o tênis velho, andar caminho errado pela simples alegria de ser. nisso os significados se refazem e se criam novos, novas vozes. vozes velhas são lindas também. passado-presente-futuro são misturas, são fluídicos, se interpenetram de modo que somos re-pedaços disso tudo, somos junção e frações do que melhor se pôde filtrar do antes-agora-depois. tudo isso pode se resumir em simples presente.

presente belo o que temos!

quarta-feira, 19 de março de 2014

da gratidão




grata, menina-fada de roupa colorida, pelo mundo-arte que me apresenta todo dia, e por quando tenta pegar uma xícara

grata, menina-dos-olhos-de-gato, de olho expressivo, de tanta força nos olhos, os olhos. grata pela sua vida única e profunda, duma profundidade que só quem é de ar consegue ser, e eu tão longe, tão longe...

grata, moço bonito, de morada lá no alto, porque parece que nunca está aqui. grata pelas ruas que me mostrou, ruas da sua vida, do seu lado de lá da ilha, grata pela sua paciência com minha aceleração e grata por não saber a diferença entre vestido e blusinha. grata também por não saber o que é um bolero.

grata, ariano, pela espontaneidade, pelas conversas boas, pela energia, pela disposição, pela verdade, pela vida sua que me tem sido tão cheia de cores.

grata, moço-do-sul, por ter me deixado entrar na sua casa, por ter me mostrado como é sua vida, por ter me dado um pedaço de cada coisa boa que tem, de cada beleza que seus olhos vêem. grata por me levar contigo, por estar comigo nas vistas mais bonitas que tenho tido, no canto daqui que mais mora meu coração. tem o maior valor do mundo um caminho bonito com você, uma conversa sincera, ou um elogio ao contrário de que meu cabelo, afinal, não é arrumado como o das outras gurias.

grata.

segunda-feira, 10 de março de 2014

do mar



bruna e o mar

mar e bruna

aproveito os carinhos do mundo, os 4 elementos de tudo sentada na montanha de frente pro mar

a mente descansa

é bom que descanse, afinal, não quero o que a cabeça pensa, mas o que a alma deseja. a alma, ela, além

fique a leveza, durma o medo, venha o sol, abra-se a estrada

seja vida, seja pura, seja música, só música que entra na alma e arrepia o antebraço

encante o sorriso de criança, viva os olhos dos outros e por isso os seus também

limpe, ar; sinta a esperança no ar

abra. apenas abra. a boca pra falar, o coração pra amar, a porta de casa pra receber, a porta da alma pra doar








segunda-feira, 3 de março de 2014

da solidão


hoje vim à solidão. com e sem metáfora.

mas fui sozinha não.

trouxe o bru. ele na sua sem-fim desempolgação com trilhas e matos. Mas com tanto amor, mas tanto amor, capaz de fazê-lo acordar com meu relógio biológico esquisito e ir comigo.


trouxe o ticiano na maior vontade que eu já tive de alguém estar comigo a cada segundo.


trouxe meus pais e minha irmã. porque eles são parte de mim dum jeito que não sei. sou boba demais ainda pra saber.

trouxe o rodrigo, porque o conheci aqui nessas lindas terras. porque era mágico encontrá-lo na lagoa pra tomar chopp duplo e discutir e aprender e admirá-lo. ah, que leveza você me deu. e dá.

trouxe o pedro e seus-meus-nossos pulos em pedras e cachoeiras. pedro foi amor de pedra e natureza.


senti falta imensa e trouxe a bruna do coração selvagem.


e trouxe você. e você é o maior dos problemas. com você eu fiz cada passo dos que faço hoje. não digo que te lembro o tempo todo: mais que isso, é exatamente como se estivesse aqui comigo colado ao lado. éramos duma felicidade aqui, exatamente aqui, que eu não sabia explicar, não fazia idéia do que era, só sabia que era bom e vivo, colorido. até agora ainda não sei o que foi aquilo tudo.
agora, só sei que ninguém ao meu lado chega aos pés do que foi aquela solidão daquele dia com aquelas cores de rosas e lilás. fora a plena plenitude - redundante, como é todo sentido demasiado forte. plenitude de saber que alguém nesse mundo também tinha vontade de pedir um pedaço da comida dos outros. plenitude de ter com quem rodopiar. é bom rodopiar só. mas com, ah, com. ultrapassa limite, isso tudo.



alguém que cante junto e sorria sem se preocupar quem está vendo. alguém que seja, só.

somos vagalumes a voar perdidos...

domingo, 2 de março de 2014

das primeiras impresões



de sentir sorte por, ainda com algumas inacabadas dores, ver só a beleza de flores que encontro

de sentir sorrisos bons, ainda que eu saiba que, por ora, não vai ser fácil

não é fácil mudar, são recursos todas as horas, são começos, novos começos a cada passo que se dá, a cada ônibus que descubro que vai daqui direto pro centro

não seria fácil, eu sabia, sempre. mas ter vindo, ter saído, ter mudado é uma das poucas vitórias que se pode dizer alto que foi possível, que ainda é tempo de começar, de deixar sempre de lado a certeza e arriscar tudo de novo com paixão.

levamos conosco pra qualquer canto a nossa essência (será que há?) e vamos ali canto a canto plantando nosso ser, conquistando aqui, 'perdendo' ali - ainda que, na verdade, haja nunca perda mas sim reconstrução. a leveza de ser por ser, de ir caminhando sem que seja necessário pegar esta ou aquela rota já conhecida. rota nova...

então são perguntas toda hora, são sorrisos inaugurais, é um ser diferente que se abre pra isso tudo, com farpas ainda daquelas que vão saindo devagar, que o próprio corpo vai regenerando e absorvendo de modo a um dia, em breve ou não, pouco importa, dissolver na gente mesmo.

andar caminho errado pela simples alegria de ser...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

da ida


alguns abraços não vão ser dados
alguns olhares não vão ser trocados
muitas palavras não vão ser ditas pelo simples fato de que não estou pronta ainda pra sinceridade plena

vou

e vou deixando a casa vazia e vou sentindo uma vontade de chorar que vem de dentro e nem sempre encontra vazão, porque esbarra no orgulho
vou seguindo sempre adiante
se volto, provavelmente não
nada volta. na verdade o fio da meada e o tempo já se perderam há tempos nesses dias de tormenta e por mais que doa só preciso saber esperar as coisas acontecerem e se ajustarem
porque, ué, nada é irreversível, muito embora nada se possa desfazer também
da velha história do prego na parede: eu tiro o prego. jogo o prego fora. e tento esquecer que preguei-o ali certo dia, de martelo na mão e rudeza. mas a marca estará lá... para, de certo modo, tentar frear na hora em que eventualmente se queira de novo martelar a parede
não farei mais marcas. isso porque, disse o mês de maio, que a vista de meu ascendente no céu nesses últimos tempos tão Saturninos fora uma lição bela, pra que eu me veja de fora, veja a tempestade machucar a mim para que eu não volte a fazer isso aos outros. e veja bem que amor é esse da vida.

sou torre ainda, e o que não se adequa a isso tem sido cortado da minha vida da maneira exata como se deve. sou liberdade, mudança, e crise precisa agora. rupturas traumáticas, destruição assim, de repente, que vem sabe porquê, que deixa escombro mas que, afinal, só dava mesmo é pra ser assim. de qualquer outro modo a torre ficaria li, crescendo, crescendo, sabe pra onde... não levar em conta os prenúncios, por vezes, pode fazer algo belo ser destruído em fração de segundos por conta de uma faísca num canto onde já havia o potencial do fogo. se precisou ser assim, de demolição rápida e cruel, dura, forte, eu aceito. mas não pretendo ter mais torres destruídas por aí. sentir falta é parte disso, sim. sinto. sinto falta de tanta coisa, mas que não me inibe de continuar arrumando as malas.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

pra coragem


somos seres tementes. temos medo de ir sem saber pra onde, de arriscar sem calcular o risco. caramba, basta observar: temos medo, muitas vezes, até de exercer nosso pleno direito.
o medo, aprendi num filme, é como um vírus. ele vem e se instala e, se você não combate, ele toma conta de você de tal maneira que te adoece todo. e pronto, você está rendido.
onde está a coragem que eu sempre tive de ser eu mesma e mandar às favas o que me aborrece? 
tô aqui procurando e não acho.
ciclos se fecham, se rompem, e cabe a nós a atenção devida, pra que nada passe muito do ponto.
daí, com medo, fico esperando a solução cair do céu e algo acontecer pra me tirar desse lugar. só que isso não acontece. antes visse um deus ex-machina aqui prontinha pra me resolver toda.
arregaço as mangas e me jogo mesmo sendo que, lá embaixo, pode ter bastante pedra? se bem que pedra... bom, bato a cabeça, sangro um pouco e, aos poucos, vai cicatrizando...

como eu faço? preciso ir...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

pro pulsar


O que será que me dá?
Que me bole por dentro, será que me dá?
Que brota à flor da pele, será que me dá?
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita...

O que será, que será
Que dá dentro da gente e que não devia?
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá?
Que me queima por dentro, será que será?
Que me perturba o sono, será que me dá?
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será, que será
Que andam suspirando pelas alcovas?
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...

O que será, que será
Que vive nas idéias desses amantes?
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...

Será que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido...

O que será, que será
Que todos os avisos não vão evitar?
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

pras desculpas

me desculpa esse mal jeito?



pode ser medo, pode ser um milhão de coisas babacas que nem eu mesma conseguiria explicar em mil anos. pode ser qualquer coisa que agrade ou não.

só sei dizer agora que sinto falta do brilho que tinha os seus olhos quando me via e que agora, por culpa minha, tem se dispersado... sinto falta do seu abraço me procurando sem medo que eu exploda ou feche o tempo. está tudo complicado pra mim, bagunçado, sem saber se construo ou não fica tão esquisito...

meu bem, o meu lugar continua sendo onde você quiser que ele seja. e eu ainda não quero o que a cabeça pensa, quero o que a alma deseja.

me dá tempo de eu mostrar que é isso?

cada vez que você correr e for rodopiar de cartola, eu vou contigo. e rodopio com você no espaço por um sem-tempo como fazemos quando nos jogamos no chão. é isso que eu amo. é disso que eu tô falando. do seu desprendimento, da sua infantilidade, da nossa alegria e da nossa vida um no outro, do seu sorriso que ilumina minha vida, da sua voz de som alto que me faz a princesa mais sortuda de todos os reinos.

meu bem, me desculpe...
vamos passar por cima disso?
não solta a minha mão?

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

pro meu ascendente

quantas vidas foram precisas pra te encontrar assim?


de falar alto, de ser escândalo e nada de brisa, embora a brisa agrade aos dois.

é tempestade, e, ah, como me agrada a tempestade! que falta fazia você, mesmo que você não existisse.

de diversas coisas lindas que vieram, que houve, que li, estava você como um conto diferente, algo que não há língua capaz de traduzir.



de repensar posteridade, isso realmente não tem precedentes. é inauguração de fogo, de explosão que irrita tanto quando vai embora e que tira a calma, e quem foi que disse que eu queria calma?

eu nunca quis calma. eu tive mas algo faltava. faltava o grito, faltava o teatro, e veio você de peça de estréia, minha paz bonita. como se a paz fosse em parte dependente da tua voz cantando aqui, do teu violão louco e gritante, que me desconcerta, que me faz olhar e admirar pra sempre, porque admiração não tem tempo, como não tem tempo o seu ser em mim.




eu cuido, e você cuida, eu vejo. eu te vejo em mim e te olho pra mim, como um espelho e tanto nas boas maneiras como nas falhas - tantas falhas nós temos, e elas são lindas como são todas as imperfeições.

dizer 'eu te amo' não devia ser um problema.

pra gente não foi. foi de alto de pedra, de salto de lost, de pulso tão firme e tão grito e tão alto que, se fosse pulo, seria morte.

e medo eu não tenho - tento não ter - nenhum.

pula todas as músicas comigo, pulo todas com você segurando minha cintura. prometo a cintura, prometo pular, prometo ainda que as promessas sejam do agora e possam ser nada depois. não me importa. me importa só que sou aqui. sou agora, sou que nem você. assusta, né? você não tem medo de nada... eu tenho mas finjo que não tenho e toco com você.

me ama todo dia que eu hei de amar você cada dia, dia a dia, pratododia.