segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
do engano da lua em água
enganamo-nos na esquina, na virada surdina em que não se disse não.
enganamos no ato impensado, no abraço semi-dado, no 'ver-se-faz' bater o coração.
e, no fim, coração não bate com força não e, aí, já fica qualquer coisa que se faz tentativa e...ah... fadiga...
fadiga de tentar porque tentar é um tanto chato.
o olhar ofuscado, já vai cansado, de luz grande lhe tampando o céu
dá pra ver ainda pra além daqui? que foi mesmo que fizemos que criou a amarra - irreal a amarra?
* * *
aconselho romper-se, tremer-se todo de paixão
aconselho ainda que pouco se negue o apelo do não
e aconselho, ademais, que não seja capaz de frear sua mão
não vejo graça em gente que acha que é mansidão
nem me comporta um mundo de portas sem satisfação
* * *
ah, aliás, pouco me importa que seja do agrado o plácido
quero plácido não
quero um grito que em nada se abranda
mas fale, fale
fale o que seu coração pede que o outro fale
fale caso ache que é um disfarce ou uma pena, mas no fundo bem sabe que é contra-mão
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
dos afastamentos saturninos
o que nos faz querer estar ao lado? creio ser apenas o momento presente. toda e qualquer companhia que existe por conta de algo passado ou de conjecturas futuras se perde.
pergunte-se: por quê? se for por algo que passou, desvincule-se. se foi por algo que quer, nem mesmo vá.
agora, e entender isso? e deixar-se livre disso?
fácil, não, quem disse? há de ser de ensinamentos que só se pode ter na casa dos 28, porque antes talvez doesse.
agora já não dói. agora os transeuntes vêm e vão sem que eu nada faça.
qualquer situação que não faça bem deve ser simplesmente retirada de nosso convívio. deixa a cargo do tempo, ele trata de tudo, trata de deixar longe ou de retornar pra perto se assim tiver de ser.
os sentidos têm de ser agora. a construção deve ser do que se tem à mão. sejamos grato, mas sem desrespeitarmos a nós mesmos, mantendo ao lado aquilo que, agora, já não tem sentido algum que se possa achar no já. sentido passado não existe.
que nada seja obrigação.
que nada esteja numa ocasião que já não é, que não haja apego ao passado e que possamos simplesmente sair das amarras que nós mesmos criamos e sair andando, descalços, na rua...
que nada esteja num tempo que ainda não foi construído.
que tudo seja agora.
e embora eu tenha me afastado de você, eu sinto que você me ouve quando eu ouço o que você me indicou pra dormir quando eu não estava em kansas e me sentia profundamente e visceralmente sozinha, sozinha de solidão funda. porque mesmo longe e sem apego algum ou sem nem mesmo querer o contrário, cada um dos living room songs parece que me fazem bem, agora, e não antes. não é passado. é o que você foi bom em mim e agora é resultado e carinho.
words of wisdom: let it be. there will be an answer...
sábado, 22 de novembro de 2014
do real - gnossienne
se desconstrua, me desconstrua, se quebre em pedaços, tudo que parece ser real. olha, a realidade eu apenas sinto. prova de que matéria menos há do que sonhos. sinto o real se fecho o olho, se deito a alma pra dentro, se deito os olhos pro que não dá pra ver com eles.
a realidade parece boba quando a gente sonha. o sonho duma consistência bem para-além de qualquer ciência e das possibilidades do corpo. e o corpo titubeia, porque se estranha em mim. porque não o sou. sou além: seja mais, seja menos, não somos o espelho. somos algo que talvez em nada se assemelhe ao ser que está na mente.
quebra os padrões, think outside the box, para de seguir assim, muda a rota, vira pro lado inesperado, nem pra esquerda nem pra direita, vira aleatório. não espera, parte agora, segue sem que seja preciso explicar, porque às vezes, quem sabe, o bom mesmo e o mais próximo do real é aquele que não se explica.
por que só dois lados? porque 360 graus? e se eu te dissesse que há mais? há graus infinitos e nada se pode resumir num círculo apenas?
não sei se nenhuma nota do piano que eu escuto é. sei que elas todas, notas todas entram em mim numa profundidade de não-explicação que não é real.
a música duma tal linguagem i-real, su-real, para-real, para que se re-construa, se real-construa, realmente se possa ouvir as notas. deve haver música na realidade. e ela deve ser de um piano. piano deve ser o instrumento do mundo real. porque aqui, nesse não-nada real, faz ir encontrar com um algo de dentro que não se pode encontrar sem que antes alguém sente-se e componha e emparelhe notas e melodias e harmonize o som.
tudo que pede recomeço quando se dá voz pro que não fala. se dá chance ao que não pede. se renova e se concede. concede um olhar mais terno. conceda. conceda-se. conceda a si. conceda se sentir. mas só se sentir.
sinto notas tão rápidas e tão intensas vindas dos que eu sei bons mas não sei reais porque, distante dos olhos, difícil saber se existe mesmo. talvez tenha sido só minha viagem pra terra de oz. talvez seus sons que me deixaram torpes por minutos - vidas? tempo? - não sejam reais e talvez você não tenha existido a não ser por um momento em que eu precisei de você. precisei de um lunático na grama dançando ao som do que não poderia dançar.
éramos reais? porque eu sentia como se a razão da estrada de tijolos amarelos fosse mais a companhia do lunático do que o castelo de esmeraldas. e agora, em kansas, sei que fora tudo um sonho colorido das cores com as quais fez meu castelo. os sentidos se perdem no meio do tempo porque não há tempo, there's no such thing, e o sonho de que eu caminhava talvez tenha sido o mais real que eu vi. talvez a realidade seja a terra de oz e kansas seja só uma babaquice, só um jogo, só uma realidade paralela, só uma construção da mente. i wish i weren't in kansas anymore...
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
do que se perde quando se pára de olhar
com o tempo, paramos de olhar às vezes. deixamos o olhar ofuscado, como se um véu houvesse. e, de tão perto, as letras embaralham e a gente já não vê mais. só que, embora não possamos ver, tem beleza tanta ali. tem beleza de tempo corrido, de tempo presente, de tempo por-vir. a cidade e o amontoado de gente e nós mesmos nos fazemos não ver. nos fazemos sobretudo não ser.
e daí, quando não somos, é fácil se ver no meio do mundo sem saber ao menos porque viramos à direita.
os caminhos: que eles não sejam mecânicos; as pessoas: que elas não sejam um link.
afastemos um pouco a página do livro, senão embaralha mesmo.
que nada seja uma obrigação, que as frases sejam sempre renovadoras.
e os ares, eles nunca se repetem. pode ser a mesma pessoa, mas não é. pode parecer o mesmo toque, mas não é. é bom parar de pensar um pouco, daí des-estranha, tenta! sim, tento. e aí então, dali pra frente, pode ser um bom afastamento. se afastar do que o passado fez parecer.
perde-se ao parar de olhar. é preciso trocar a lente, será?
faz assim:
olha novamente pra ele.
olha mais uma vez pra ela.
só que antes...
olha mais uma vez pra ti mesmo!
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
do que controla você
será que é o horário do ônibus que é sempre o mesmo? ou o caminho à esquerda que é percorrido todo dia e deixa de lado o que está à direita, mais longo? será a mesma roupa que é passado e já nem nos serve mais mas ainda ali guardada prum dia, quem sabe, ou será então o passo que cala e segue sem pensar?
será o quanto tem na carteira, na conta, na mente, será o escape de estar no meio de gente? será que pode ser o apego ao que não é num tempo outro ou então aquele sonho que pouco se assemelha ao nosso ser presente? o que controla você?
será o açúcar no nosso café? o pão, o queijo, o desvio, o vício? será o livro que não se lê? o amor que se busca só pra amar sem consciência de que amor - ah, amor - amor é trabalho? ou a energia que não se gasta e se economiza para... para quê mesmo?
será o pensamento que mina, que discrimina, que paralisa nossa ação? será então a chance que se desperdiça e a crença que se enraíza - e delimita - no coração? o que controla você?
será que é a mão que não se põe onde quer, a ideia que não é liberta, o olhar que tem véu, a palavra, fel? ou será a alma irascível sem querer, o desespero e a pressa, o não-entendimento da espera?
e s p e r a...
será então, se não é nada disso, a ideia que se tem de si mesmo? seremos os algozes de nós mesmos num tempo em que tanto se fala de transpor-se inteiro? será a vaidade, o ego, o encaixe, o nível que se tem na sociedade? será a sociedade? e ela, vem de onde, o que controla a sociedade? nós... ?
o que controla você?
terça-feira, 14 de outubro de 2014
de quando se fecham portas - e as janelas coloridas abrem-se!
é belo fechar portas! é duma espetacular gama de cores vivas deixar pra trás, renovar, deixar as histórias passadas todas como só parte de você, nada externo. olhamos, por vezes, o passado como se lá residisse, tivesse havido alguém-nós que não é mais, que está lá, com menos idade, em algum Universo extinto... pois é: não. não se trata disso, parece. trata-se, em verdade, simplesmente de nós, de hoje, de agora. por isso numa visão tragicômica dos fatos o passado não existe e o que existe mesmo somos nós e só. e sós, inclusive.
o inaugurar é parte dum processo longo, esse de deixar para trás. diluir e simplesmente se transmutar. o passado tem a chance de se aproximar de nós: passa a ser parte, e não vida distante. não longínquo tempo, mas o tornar-se de cada nova decisão, de cada passo pequeno à esquerda ou direita.
daí se pode notar que qualquer coisa externa ao nosso próprio coração e a nossas próprias células vivas é, na verdade, balela: o passado não precisa estar contido em matéria, pois ele é matéria em nós. no aprendizado que fez e faz, no que nos faz passar a ser a cada dia.
que se bote fogo, ou que simplesmente se rasgue, se esqueça, se deixe ir. it's time to let it go.
time to let it fly.
é agora, e, ora... quem diria? quem diria que seria bem aos 28.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
to sunset
If it weren't for your maturity none of this would have happened
If you weren't so wise beyond your years I would've been able to control myself
If it weren't for my attention you wouldn't have been successful and
If it weren't for me you would never have amounted to very much
This could be messy
But you don't seem to mind
Don't go telling everybody
And overlook this supposed crime
We'll fast forward to a few years later
And no one knows except the both of us
And I have honored your request for silence
And you've washed your hands clean of this
You're essentially an employee and I like you having to depend on me
You're a kind of my protégé and one day you'll say you learned all you know from me
I know you depend on me like a young thing would to a guardian
I know you sexualize me like a young thing would and I think I like it
This could get messy
But you don't seem to mind
Don't go telling everybody
And overlook this supposed crime
We'll fast forward to a few years later
And no one knows except the both of us
I've more than honored your request for silence
And you've washed your hands clean of this
What part of our history's reinvented and under rug swept?
What part of your memory is selective and tends to forget?
What with this distance it seems so obvious?
Just make sure you don't tell on me especially to members of your family
We best keep this to ourselves and not tell any members of our inner posse
I wish I could tell the world cause you're such a pretty thing when you're done up properly
I might want to marry you one day if you watch that weight and keep your firm body
sábado, 27 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
das efemeridades
perguntei eu a um amigo de céu-azul e disse ele, das brevidades do que comumente chamamos amor, que amor não é.
que há de sincero no eu-te-amo ao logo início? pode ser sincero o que não é real?
acho que sim. na sinceridade assim como na promessa se encerra uma mentira. daquelas que não serão cumpridas porque amanhã não serão verdade. são fogo, seja faísca, chama ou brasa.
parece que na nossa vida corrida de compromissos inadiáveis não temos tempo pra olhar no olho de alguém. pra ver nuns olhos que antes se achava pequenos demais, meio tortos, uma beleza e um possível algo mais. é então que precisamos de artifícios modernos, tecnológicos. será que seria preciso um aplicativo se os olhos se cruzassem? se conseguíssemos entender que não é preciso viajar pra outro estado ou cidade pra encontrar alguém que não conhecemos... porque aqui no nosso bairro, do nosso lado, se divertindo e vivendo conosco, tem sorrisos tão bonitos... eu quis falar isso uma vez, quando ouvi que, hoje em dia, as relações viraram frutos de um catálogo de fotos e interesses, e nada mais que isso, e que isso é 'normal'...
eu não gosto disso não. busco não julgar, afinal, cada um se utiliza daquilo que bem entende e procura o tipo de relação que bem quiser. mas eu ainda confio no olhar. eu ainda vejo que amores se constroem do comum, do conjunto vivido, do companheirismo bobo de andar junto sem saber pra onde ir exatamente...
o que vai ficar quando o vento bater? quais das folhas e flores que se vão num balançar?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
do que será que você pensa
será que você sabe que, quando te vi pela primeira vez, achei você extremamente ridículo?
será que sabe que morria de vergonha quando você abria a sua boca pra falar alguma sorte de merda com sua voz desafinada, sem jeito, sem dicção e, sobretudo, sem o dom da oratória?
será que você sabe que sempre pensei que você fosse simplesmente o mais ridículo de todos os caras que conheci? será que sabe que, a despeito disso, te achava o mais divertido?
sabe, será, que sempre foi o mais chato da minha lista? sabe que eu me perguntava "por que raios ainda insisto em ver esse idiota?" cada vez que chamava sua atenção?
será que você sabe que eu me sentia finalmente em casa quando entrava no seu carro, eu, que não gosto de carro, que sou de moto rápida e não de carro lento e contido, que sou de explosão absurda e não de cálculo e pensamento e ascendente em equilíbrio?
ah, mas deve saber, não é possível que não saiba que minha vida tinha graça e cor quando você aparecia na minha frente 10 minutos, no máximo, depois de eu dizer que estava triste por qualquer besteira pouca que me havia...
mas será que sabe, sobretudo, que tem músicas suas em mim? que tem soníferos pra dormir desde antes de ver você, e que tem músicas que ficaram por cantar, que ficaram por ser, e que eu ainda te lembro bastante?
será que você sabe que foi um grande amigo numa hora em que grandes amigos distavam kilômetros sem fim, todas aquelas montanhas que eu te disse, uma vez, que eu tinha vontade de transpor voando?
se não sabe, acho que há uma chance, das grandes, de que nunca saiba.
ainda assim, eu digo. não a você: não leria nem ouviria. você não me receberia porque cada coisa que disse não era verdade. no ímpeto, deve ter dito, sem querer. mas sem querer dizer. eu quis dizer até mesmo o que disse de ruim, até mesmo o que disse para que olhasse pra si. eu não me arrependo de absolutamente nada, de ter dito nada, de ter sido nada. eu só agradeço que por um breve lapso de tempo eu tive um refúgio e ele foi totalmente sincero vindo de mim, embora possa ter sido, de certo modo, oportunista, de certo modo, utilitário. cada um teve seu ônus e seu bônus, certo? tive o meu e teve o seu, e agora que nada há eu te digo de todo meu coração desarmado que sou grata pelo vislumbre que tive de amizade.
amigos são poucos. amigos só os que conseguem suportar o nosso pior. sem aplaudir. mas sem vaiar.
logo em breve eu paro de me perguntar será. mas ainda pergunto. será que sabe que gostaria de dizer que, olha, desculpa qualquer coisa, qualquer mal jeito, gosto de você, vamos ser amigos de novo?
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